Contação de história: 6 dicas de uma mãe que pratica essa arte

Alguém tem dúvidas de que contar história desperta emoções, expectativas, curiosidade e tantos outros sentimentos? Há pouco mais de dois anos, a jornalista Mariana Müller constata tudo isso na prática. Para ela a paixão por contar histórias chegou de modo silencioso, através da profissão e de cursos como o de Escrita Criativa. Mas foi a maternidade que fez esse dom aflorar de vez e entrar em cena.

 

UMA NOVA PROFISSÃO NASCE JUNTO COM A MÃE

 

contar história

Foto: arquivo pessoal da Mariana Müller

 

Logo no início da gravidez Mariana pediu demissão do jornal O Globo, onde trabalhava há três anos. Afinal, a maternidade era uma realização. Para viver intensamente essa experiência, decidiu abrir mão da rotina corrida da redação de jornal. Mudar de profissão era algo certo. Ela só não sabia como utilizar as qualidades profissionais e as outras que adquiriu ao longo da vida para dar um novo rumo à carreira.

 

Mas a criatividade a ajudou a superar os tempos difíceis e o medo para dar lugar a novos projetos. Ela já havia escrito um livro infantil, mas não tinha grana para ilustrar e publicar. Então, se beneficiou das histórias de outra forma: contando para os coleguinhas da filha, nas pracinhas que passou a frequentar após o nascimento da Antonia.

 

SAI A JORNALISTA, ENTRA A CONTADORA DE HISTÓRIA

 

contar história

Foto: arquivo pessoal da Mariana Müller

 

Os pais que conheceu nas pracinhas, Mariana convidou para frequentar uma livraria que promovia contação de história.

 

“Era uma farra boa, de encontro de mães e bebês de seis meses a um ano e meio de idade. O gerente da casa me via contando histórias para essas crianças com muito carinho e me convidou para assumir esse lugar na livraria. Foi assim que nasceu a Mariana contadora de histórias. Criei uma roda de leitura musical com a participação da minha prima Ana Júlia, que toca e canta muito bem. O meu marido também me ajudou a pensar, minuciosamente, nos detalhes do que hoje se tornou ‘O Mundo da Mari de Faz de Conta”, explica ela.

 

O repertório ela escolheu com a ajuda da livreira Penha, que recomendou o melhor da nova literatura infantil.

 

SEIS ESTRATÉGIAS PARA CONTAR HISTÓRIA

 

contar história

Foto: Camila Cerri

 

“Contar histórias é um ato de amor, de dedicação e acolhimento. É nesse momento íntimo que se passa valores essenciais para a criança de modo lúdico e divertido. E, claro,  estimula naturalmente o gosto pela leitura e o pensamento crítico”, define Mariana.

 

Para desempenhar bem essa função, ela dá as seguintes dicas:

 

1.Desligue o celular para estar, realmente, presente nesse momento;

 

2. Escolha uma história que você conheça bem para fazer uma narração com espontaneidade;

 

3. Fique atento à faixa etária. Crianças com idades entre 1 e 4 anos adoram bichos, cores e flores. Já as de 5 anos gostam de histórias de monstros, dinossauros e heróis. As que têm de 6 a 10 anos preferem ler junto e escolher os próprios livros;

 

4. Coloque uma particularidade da sua expressão na hora da leitura, como levantar as sobrancelhas, dar uma risada engraçada ou um suspiro. Esses detalhes ajudam a tornar a contação marcante;

 

5. Leia com calma e deixe a criança questionar os acontecimentos;

 

6. Um carinho ao final é sempre bom. Sugiro um cafuné.

 

ARTE QUE ATRAVESSA SÉCULOS

 

contar história

Foto: Arquivo pessoal da Mariana Müller

 

Contar histórias é uma das práticas mais remotas a que se tem registro. O ser humano conta histórias desde o início do desenvolvimento das habilidades de comunicação e da fala. O motivo é simples: essa prática promove momentos de união, confraternização, troca de experiências, ajuda a passar o tempo e a vencer o tédio. Ouvir, contar história e recontá-la também é uma maneira de preservar culturas, valores e compartilhar conhecimento. Para Mariana existem, ainda, outras recompensas:

 

“Os abraços, sorrisos e beijocas das crianças são o maior ganho nos lugares onde me apresento. Quando fazemos o que gostamos, viramos uma fortaleza. Além disso, somos capazes de entender os próprios sentimentos com mais clareza. Por mais que a questão financeira seja uma barreira, as portas se abrem quando estamos confiantes na escolha. Gosto muito de lembrar uma frase da Clarice Lispector: Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho”, finaliza a mamãe contadora de história.

 

Abaixo, um pouco mais sobre a história da Mariana. Quem desejar entrar em contato com ela, pode enviar um e-mail para: marianasamor@gmail.com

Receba o nosso boletim

Ad
Ad