Hábito da infância vira profissão voltada para incentivo à leitura

A foto abaixo revela mais do que um simples momento de concentração. É a prova de que o exemplo de casa influencia comportamentos e preferências da criança. Nascida em 1.984, época em que praticamente não se oferecia livro infantil a bebês, Vívian Curvelo ganhou vários. O tempo passou e ela virou não só professora e historiadora, como também especialista em literatura infantojuvenil. A responsável por aproximá-la do universo literário foi a mãe.

 

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Vívian em momento de leitura registrado pela tia, durante férias escolares.

 

“Os livros infantis sempre me encantaram muito! Lembro que a minha mãe guardava os livros e revistas dela na parte debaixo do armário da sala. Eu abria as portas e ficava mexendo. Gostava daqueles objetos e era ansiosa para aprender a ler”.

 

Em Macaé (RJ), cidade de Vívian, não havia livraria naquele período. Por isso, os exemplares que chegavam eram presente de viagem.

 

“Eu pedia para ela trazer livros. E ela atendia. Me entregava todos com dedicatórias lindas! Eu também tinha a assinatura das revistinhas da turma da Mônica. Lia todas de uma vez e relia até chegarem as novas”, recorda Vívian.

 

Esse prazer foi potencializado aos sete anos de idade, quando ela foi ao teatro assistir “Menino Maluquinho”. Vívian adorou a peça e, na saída, ganhou da mãe o livro que deu nome ao espetáculo. Leu muitas vezes, pintou e escreveu sobre o livro infantil que hoje ele tem lugar especial na Casa Ipê: espaço que ela criou incentivar o prazer da leitura.

 

“Minha mãe teve papel fundamental na minha formação como leitora. Ela sempre valorizou a arte, lia bastante para mim e buscava escolas que priorizavam tudo isso. Agradeço muito”.

 

E você, sabe como estimular o prazer pela leitura na criança que está perto de você? Descubra como fazer isso através das super dicas da Vívian Curvelo.

 

1 – LEITURA NA GESTAÇÃO

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Alguns pais acham que só devem comprar livros infantis quando o filho começar a ler ou a falar. Isso é um erro. É preciso incentivar esse hábito desde a gestação, quando o bebê já reconhece a voz dos pais. Manter essa prática após o nascimento da criança ajuda no desenvolvimento da linguagem. Também contribui para que ela entenda que a palavra escrita tem importância naquela família través dos livros e da narrativa. Outros detalhes, nesse vídeo

 

2 - LIVRO INFANTIL ACESSÍVEL

 

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Não transforme o livro infantil num objeto intocado, sagrado no alto da estante ou guardado no armário. Ele deve estar acessível à criança, ao alcance das mãos e ser facilmente encontrado. Aos poucos ela vai perceber que daquele objeto saem histórias maravilhosas. Dar o exemplo em casa é também fundamental. Dessa forma, o livro vai ser um objeto natural para a criança. Já a leitura fará parte da rotina assim como comer, brincar, tomar banho...

 

3 - CRIE UMA ROTINA

 

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É importante criar uma rotina de leitura compartilhada. Não precisa ser sempre no mesmo dia ou horário. Mas a família deve encontrar períodos em que esteja disponível para se dedicar inteiramente a esse momento. Pode ser antes de dormir, depois do almoço de domingo ou nas manhãs do fim de semana, por exemplo. A leitura compartilhada é um momento de tranquilidade, afeto, diversão e relaxamento.

 

4 - BIBLIOTECA EM CASA

 

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Criar, aos poucos, uma biblioteca para a criança ajuda demais. Ela não precisa ter muitos livros. Mas é preciso que os títulos sejam de qualidade. Isso trará benefícios, inclusive, para a vida escolar. Atualmente percebo que o ensino formal aproxima as crianças pequenas da leitura e faz ciranda de livro infantil até determinada idade. Mas após uma faixa etária, quando elas começam a ficar mais velhas, a leitura só é feita para avaliações. Aí, deixa de ser vista como arte e prazer para virar obrigação. O que afasta crianças e jovens desse universo.

 

5 - INCENTIVE A EXPRESSÃO LIVRE

 

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A dificuldade com interpretação de texto é reflexo da pouca leitura. Quando esse hábito é introduzido desde cedo, a mediação do livro infantil é bem-feita, a criança pode se expressar livremente e há debates sobre o texto, a interpretação se torna mais fácil. É claro que a tecnologia, tão presente nos dias de hoje, pode afastar crianças e jovens desse contexto. No entanto, a nossa missão, como pais e professores é mostrar que o universo literário continua encantador e interessante. E isso pode acontecer tanto por meio do livro físico quanto do virtual. Em muitos casos, a tecnologia pode ser usada a favor desse hábito.

 

6 – VISITA A ESPAÇOS DE LEITURA

 

Casa Ipê, em Macaé (RJ)

 

Frequentar espaços de leitura é outra recomendação. Entre eles, sugiro feiras e festivais literários, bibliotecas, livrarias, sebos, espaços de leitura e cursos. Em Macaé, uma sugestão é a Casa Ipê – criada pela Vívian Curvelo. O lugar é um espaço de incentivo à leitura e à escrita para crianças e jovens de 6 a 14 anos. Nas aulas semanais, o aluno tem a oportunidade de perceber a literatura de forma prazerosa.

 

Casa Ipê

Espaço de leitura da Casa Ipê

 

Através da leitura reflexiva, da interpretação de texto e da escrita criativa a Casa Ipê desenvolve autoria, reflexões e textos. As atividades e temas propostos são elaborados com o intuito de sensibilizar e ampliar a visão de mundo de crianças e jovens. Afinal, quem lê enxerga melhor o mundo, a si mesma e ao outro. Parte das atividades da Casa Ipê acontece ao ar livre, permitindo que o aprendizado não se à sala de aula. Cursos, palestras para pais e professores e eventos culturais também fazem parte da programação.

 

7 – DICAS DE LIVRO INFANTIL

 

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A Vívian não costuma selecionar livros infantis por faixa etária por acreditar que literatura de qualidade não tem idade. Nesse sentido, o título indicado depende muito da experiência de leitura de cada um. Uma classificação interessante, de acordo com ela, é a seguinte:

 

Para Leitores iniciantes:                                                                           

  • Uma lagarta muito comilona (Eric Carle)
    Editora Callis

 

  • Olhe bem para mim (Maria Loretta Giraldo)
    Editora Salamandra

 

  • Ter um patinho é muito útil (Isol)
    Editora Cosac Naify

 

Para Leitores autônomos:

 

  • Quando eu nasci (Isabel Minhós Martins)
    Editora Tordesilhinhas

 

  • A viagem (Francesca Sanna)
    Editora V&R

 

  • A vaca que botou um ovo (Andy Cutbill/Russell Ayto)
    Editora Salamandra

 

Para Leitores experientes:

 

  • Malala: a menina que queria ir para a escola (Adriana Carranca)
    Cia das letrinhas

 

  • O Pequeno Nicolau (René Goscinny/Jean-Jacques Sempé)
    Editora Rocco

 

  • Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis (Jarid Arraes)
    Editora Pólen

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