As lições da vovó mecânica com entusiasmo de criança

Entusiasmo de criança e disposição de adolescente numa figura de 77 anos de idade. Essa é a vovó Bernardina, que atualmente mora em Macaé (RJ), tem três filhos, netos, bisnetos e uma história que merece ser contada no dia em homenagem aos avós. Afinal, ela se autodenomina a mecânica mais antiga do Brasil em exercício e não pensa em parar tão cedo. De onde vem tanta energia? É o que você vai descobrir agora.

 

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Na infância, surge a paixão pela mecânica

 

Carros e motores sempre foram a paixão da mineira Bernardina Aguilar Gonçalves. Ela conta que descobriu esse prazer na infância por influência do pai, dono de carretas. No começo, achou que o interesse se limitava a dirigir uma delas. Com o tempo, percebeu que gostava de consertar aquelas máquinas. Ofício que iniciou intuitivamente aos 13 anos, no jipe da família, e não parou mais.

 

“Eu gosto muito de trabalhar com graxa, óleo e prefiro veículos com motor a diesel, como ônibus e caminhão”, reforça ela.

 

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O preconceito, ela deixou de lado

 

A escolha por essa profissão, no entanto, custou a desaprovação da família. Na época, os pais não consideravam que essa era tarefa para mulher. Mas ela não se importou. A contragosto dos pais e com 21 anos de idade, seguiu para o Rio de Janeiro se especializar na profissão.

 

“Enfrentei muita resistência e minha mãe morreu sem aceitar a minha profissão. As pessoas diziam que eu queria ficar no meio dos homens. No dia a dia de trabalho, sempre tive que provar eficiência mais do que os outros. Passei por grandes empresas e apesar de ser boa no que faço, nunca tive carteira assinada como mecânica”.

 

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O que essa vovó aprendeu, passa a diante

 

Simultaneamente à carreira de mecânica, Bernardina compartilhou conhecimento com jovens e adolescentes. Por isso, além dos netos de sangue, ela considera que tem centenas de netos de coração. Afinal, como instrutora voluntária já formou mais de 3.000 profissionais na área de mecânica. Trabalho que continua em Macaé e não tem previsão de parar, garante ela. 

 

“O que me move é ver o outro feliz, ajudar na busca de um trabalho que dê sentido à vida e traga dignidade. Se de cada dez jovens e adolescentes eu conseguir resgatar um, oferecendo uma chance de profissionalização, me sinto realizada”, reflete Bernardina.

 

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Palestrante nas horas vagas

 

A mulher que cresceu observando os pais, se manteve firme aos ideais e descobriu na prática a importância de dividir conhecimento com quem quisesse aprender foi ainda mais longe. Atualmente, ela é convidada ilustre em diversos eventos. E onde se apresenta, deixa um recado de vó nada convencional para as atuais e futuras gerações:

 

“Se você tem um ideal, seja forte e vá em frente. Você pode tudo, independentemente de ser homem ou mulher. Querer é poder”, incentiva a vovó que experimentou tudo isso na prática e transformou a própria trajetória em exemplo para as novas gerações.

 

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