Autismo e escola: quando o sucesso de um depende de todos!

Alice-autismo-escola

 

Insegurança é palavra constante no meu vocabulário. É por que não é fácil saber se as escolhas que faço são as corretas, se os terapeutas definidos são os melhores, se a escola vai atender às necessidades da minha filha.

 

Quando se tem um autista não verbal em casa, a meu ver, o processo fica um pouco mais complicado. Tenho que confiar nas pessoas e nos lugares que escolho porque a Alice não vai me contar o que está acontecendo, e nem de que forma.

 

Preciso reconhecer que ao longo deste percurso tenho encontrado verdadeiras pedras preciosas. A começar pela direção da creche onde a Alice permaneceu, em tempo integral, por quase quatro anos: pessoas acolhedoras, empenhadas em aprender, junto comigo e com o meu marido, sobre o autismo. Depois veio a escola e, mais uma vez, escolhemos certo. Quanto carinho, amor, dedicação e acolhimento recebemos - desde a diretoria até as tias da limpeza.

 

 

Mas é claro que até chegarmos à decisão da escolha o caminho não foi tão precioso assim. Levei vários foras, escutei um bocado de absurdos sobre inclusão e autismo. Ainda bem que tudo na vida passa, e os maus ventos também.

 

Na prática, as instituições de ensino devem (ou deveriam):

 

  • Desenvolver estudos, levantamentos, debates e práticas pedagógicas sobre autismo

 

  • Promover cursos, simpósios, seminários e outros eventos relacionados ao tema

 

  • Buscar a formação e atualização dos professores

 

  • Também é função da escola, desde o início de 2017, disponibilizar um professor mediador para a criança com dificuldade de aprendizado, que segue o tema da aula, adaptando o conteúdo da melhor forma possível para que o aluno consiga acompanhar o resto da classe.

 

A Lei Berenice Piana, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, no seu art. 1º, §2º, deixou claro que o indivíduo diagnosticado no espectro autista é considerado pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais. Além disso, ela trouxe expressivos avanços aos autistas, como o direito de um mediador escolar.

 

A Lei nº. 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), firma que todas as escolas devem assegurar aos estudantes especiais um atendimento adequado às suas necessidades.

 

Então, se você enfrenta os obstáculos da inclusão, mais uma vez escute os seus sentidos, a sua intuição. Converse muito, pergunte muito, se informe muito. Estude a Lei nº. 12.764/12 (Lei Berenice Piana), para ter base de argumento. Chegue informado e conheça o seu filho a fundo, a ponto de poder debater o melhor para ele. E torça para ter pedras de muitos brilhos pelo caminho.

 

Esse texto foi escrito pela Mariliza Souza, mãe da Alice, esposa do Rômulo Jacques e uma apaixonada pelos detalhes da vida.

 


A entrevista da psicopedagoga Gabriela Santiago complementa a 4ª reportagem da Série Autismo. Aqui, ela esclarece a diferença entre integração e inclusão e aborda outros tópicos fundamentais para que a diferença seja encarada de forma positiva. CONFIRA!

 

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