Futuro: como ajudar a criança autista a vencer o preconceito e ser autônoma

 

Minha avó dizia que paciência e discernimento são virtudes que devemos pedir todos os dias. No auge dos seus 83 anos, não é que ela tinha razão? Seu conselho me segue em pensamento, especialmente quando me deparo com o preconceito.

 

Confesso que não é nada fácil perceber olhares curiosos e recriminadores voltados para a minha criança. E aí eu penso que a situação tem dois lados: a Alice é não verbal, e tudo nela é muito intenso. Se estiver feliz, é uma felicidade exacerbada – grita, dá altas gargalhadas, te puxa, como que querendo dividir a alegria. Se estiver brava ou frustrada, reclama alto, chora, se joga no chão, morde os bracinhos.

 

Lidar com estes sentimentos não é fácil, mas nada que um abraço apertado e uma explicação ao pé do ouvido não consolem e, muita das vezes, desaceleram os ânimos.

 

 

Perante atitudes assim, nada mais natural do que observar ao redor e perceber a recriminação alheia. Demorei quase o tempo de vida da minha filha para entender que as pessoas não têm a obrigação de entender o comportamento dela, mas que também não têm o direito de julgar.

 

O que faço? Sem delongas, explico em alto e bom som: “ela é autista, para ela é tudo muito intenso”. E o assunto termina por ali mesmo. Ter vergonha de explicar o que é o comportamento considerado inadequado é bobeira.

 

Diante de uma sociedade que nem sempre está aberta às diferenças e tem preconceito, o que esperar para o futuro da Alice? Acredite: vale muito a pena abraçar – com todas as forças – a causa do seu filho, e dar para ele todas as possibilidades de ajuda possíveis. Acredito que com o apoio da mamãe e o do papai, minha pequena vai conseguir evoluir, no tempo dela, com sucesso. E, quem sabe um dia, terá autonomia e confiança nos afazeres do dia a dia.

 

Nossa ajuda forma uma corrente de apoio permanente, em prol de pessoas puras em sentimento, que não conseguem lidar com as suas emoções. Pense nisso. Ter um filho autista não é motivo de vergonha.

Esse texto foi escrito pela Mariliza Souza, mãe da Alice, esposa do Rômulo Jacques e uma apaixonada pelos detalhes da vida.

 

 

O vídeo abaixo encerra a Série Autismo e está incrível!! Ele foi gravado com uma convidada muito especial: a Júlia Bezerra, jovem que descobriu o autismo aos 15 anos e que, atualmente, dá palestra sobre o assunto. CLIQUE E CONFIRA!

 

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