Autoconfiança: causa e efeito de não desenvolver essa habilidade na infância

Quando educamos uma criança, de maneira geral, a ensinamos a confiar nos pais, na escola, na igreja, no estado e por aí vai. Mas nem sempre ensinamos que ela deve ter confiança nela mesma. Talvez por isso a sociedade atual esteja demonstrando tanta dificuldade em lidar com os mais variados tipos de frustrações.

 

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Escutei recentemente o relato de uma mãe que ilustra bem essa minha teoria. Ela contou que quando o filho era pequeno, não tinha medo de nada. Ele era destemido nas brincadeiras, na relação com as pessoas, na escola. Mas ela, a mãe, teve receio do que essa “ousadia” poderia representar no futuro e começou a podar o menino. Na verdade, começou a transferir para ele o medo e a insegurança dela. A conclusão da própria mãe foi a seguinte:

 

Transformei uma criança ousada e segura num adulto medroso. Hoje, percebo o quanto podei a autoconfiança dele”, desabafou a mãe.

 

CONFIANÇA: CAUSA E CONSEQUÊNCIA

 

Situações como essa são comuns e nem sempre as pessoas se dão conta, como a mãe citada acima, que tal postura foi equivocada. Afinal, quase sempre reproduzimos aquilo que recebemos. O historiador Leandro Karnal fez uma análise interessante sobre a causa e consequências da falta de confiança.

 

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A maioria das pessoas não conhece a si mesma. Tem delas uma ideia completamente acima ou abaixo do que são. Se olham no espelho e não são capazes de responder quais são os próprios limites físicos, afetivos e financeiros. Quais desejos têm e o que almejam de verdade. Por não saberem isso vão a lugares que não querem, se submetem a companhias das quais não gostam, fazem coisas que não desejam. E o pior: impõem o mesmo aos filhos”, refletiu Karnal.

 

FALTA DE CONFIANÇA NA INFÂNCIA -  REFLEXO NA VIDA ADULTA

 

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Quem não tem confiança em si mesmo, tende a ser inseguro nas relações interpessoais e no trabalho, por exemplo. Muitos precisam recorrer à agressividade ou a métodos nada amigáveis para se impor. Outros dependem sempre da opinião ou do aval alheio para executar qualquer tarefa. Posturas que impactam a convivência, a capacidade de superar obstáculos e que não são fáceis de serem abandonadas.

 

O seu passado é tudo que você conhece de si. E abandoná-lo é um trabalho árduo, difícil. Mas somente quem se atreve a fazer isso é que vive de verdade”, disse Osho – filósofo e pensador indiano.

 

AJUDE SEU FILHO A SER DIFERENTE

 

Se você é pai ou mãe, deve estar se perguntando: o que posso fazer de diferente? Como mãe, acredito que o desenvolvimento do capital humano é a grande esperança de um futuro melhor. Por isso, considero que um dos caminhos é investir na mudança de percepção daqueles que conduzem crianças na vida: nós, adultos.

 

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  • Incentivar a criança a tentar coisas novas e a persistir no que desejam;

 

  • Prepará-la emocionalmente não só para o sucesso nas atividades, mas também para possíveis derrotas;

 

  • É hora de darmos mais autonomia às nossas crianças. Como? Nas mais banais atividades cotidianas. Deixem a criança a aprender a comer sozinha, a brincar livremente e a ter opinião própria, por exemplo. A nossa função é mediar a relação dela com o mundo, não fazer as coisas por ela. Estamos aqui para orientá-la nas frustrações, não para impedir que ela tenha desilusão. Isso faz parte da vida, da relação com o mundo.

 

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