Educação Financeira na Infância: quando e como começar

Dos comerciais de TV ao passeio no shopping, apelo ao consumo infantil. É ou não é? E aí, surge aquele velho conflito entre pais e filhos sobre querer, poder, merecer e realmente precisar de determinada roupa, objeto ou brinquedo. O lado positivo é que essas situações podem servir de estímulo para iniciar uma experiência bacana com os pequenos: a da educação financeira.

 

Quem orienta sobre a melhor forma de conduzir esse processo é a professora de inglês com especialização em psicopedagogia, Nívea Araújo. Em meio às atividades didáticas e de convivência, há anos ela também ensina as alunos educação financeira.  

 

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A professora Nívea Araújo em dia de aula

 

Educação Financeira: começar o quanto antes

 

As primeiras noções de educação financeira com as crianças devem começar em casa e se estender para a escola, orienta Nívea. Mas não há idade específica para iniciar esse processo. O importante é estimular os pequenos a lidar com o dinheiro de forma descontraída. Isso aumenta a possibilidade de eles se tornarem adultos responsáveis, decididos e com visão sistêmica.

 

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Colocando em prática

 

Tudo deve ser feito com uso de vocabulário simples e no contexto da rotina da criança. Os exemplos abaixo ilustram bem em que momentos é possível introduzir o assunto.

 

“Você pode pedir ao seu filho(a) para guardar roupas e brinquedos junto com você e, enquanto todos estão envolvidos na tarefa, você fala sobre: a importância de apagar as luzes ao sair de um cômodo ou de fechar a torneira ao escovar os dentes. Essas são chances de introduzir o consumo consciente e sem desperdícios. A mesma sugestão serve para a escola”, sugere Nívea Araújo.

 

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Levar a criança ao supermercado é outra sugestão. Principalmente se o adulto tiver o hábito de fazer uma lista de compras, que pode ser elaborada com a ajuda da criança. Dessa forma, se ela começar a pedir coisas não programadas, mostre a lista para ela perceber que o item não foi incluído. Esse é um bom argumento para “dizer não”. Com o tempo, a criança entenderá que tudo deve ser programado, organizado e reduzirá a quantidade de pedidos.

 

Dinheiro de verdade, cofrinho, mesada

 

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Nívea considera que, aos quatro anos de idade, a criança já pode manipular uma carteira com o dinheiro verdadeiro. Com a filha dela, deu certo.

 

“Quando ela fez quatro anos, ganhou uma carteira das princesas, onde mantinha o dinheiro com cuidado. Nós contávamos juntas e guardávamos na carteira. As moedas seguiam para um cofrinho, como acontece até hoje. Isso ajuda a criança a ter noção de tempo, entender a necessidade, a dificuldade e o trabalho de juntar dinheiro para comprar algo. Aos poucos entende, ainda, que o dinheiro não cai do céu”, contou Nívea.

 

A mesada coerente e sem exageros também é válida, pontua ela. Contribui para que a criança aprenda até onde pode ir com aquele valor e que tudo na vida depende de escolhas.

 

Dizer “não” é preciso

 

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Não é fácil. Mas saber dizer “não” no momento certo e manter a posição é importante para desenvolver autonomia, autoestima e disciplina. Se você estiver numa loja, por exemplo, e considerar que não deve comprar algo que a criança quer, seja firme. Se for preciso:

 

Saia da loja imediatamente com a criança. Assim, você tira do foco dela o objeto desejado, reduz o tempo de stress, se livra dos olhares e julgamentos das pessoas;

 

Converse com a criança depois que ela se acalmar independentemente da idade;

 

Não grite com a criança no local da birra e nem se afaste dela fingindo que está indo embora. Essas atitudes podem gerar frustrações e sentimento de exclusão. Além disso, contribuem para formar um adulto inseguro e traumatizado;

 

A contribuição das escolas

 

Quando as iniciativas acima se estendem para o ambiente escolar, fortalecem o desenvolvimento de atitudes responsáveis por parte das crianças. Nívea dá o exemplo da própria escola, que trabalha com três projetos: os seis pilares do Caráter, Mente Progressiva e Programa de Incentivos.

 

“Quando as crianças praticam esses pilares de forma espontânea, respeitosa e com responsabilidade, recebem dólares. O mesmo vale para o uso da água. Se cada uma beber uma garrafa pequena, recebe dois dólares. Mas se a criança desrespeita o colega, professor ou não demonstra responsabilidade com seus deveres e materiais, paga multa. No final de cada semestre, elas podem usar o dinheiro de brinquedo para comprar lápis, borracha e outros itens na loja da escola. Com o tempo, o comportamento responsável passa a ser natural”, explica Nívea.

 

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Loja da escola, onde os alunos podem utilizar os dólares acumulados .

 

Outra iniciativa é o bazar do desapego, que envolve os alunos e as famílias. Tudo aquilo que eles não querem mais e apresenta bom estado, levam para vender na escola. Assim, o colégio trabalha os valores do caráter (responsabilidade, respeito, senso de justiça e cidadania, zelo e honestidade), com positividade e bons incentivos.

 

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Bazar organizado pela escola, com a presença dos alunos e suas famílias.

 

Dica Papo de Infância

 

Nós do Papo de Infância acreditamos que os livros são sempre um bom aliado na introdução de assuntos difíceis à rotina das crianças. Por isso, recomendamos abaixo um livro indicado pelo "Leiturinha", do qual Pedro, meu filho de 4 anos, é assinante. 

 

Ele é indicado para crianças a partir de 7 anos e conta a aventura de uma moedinha que muda de mão em mão inúmeras vezes. 

Clique no livro e veja como ele pode ajudar seu filho.

 

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