Gravidez inesperada, bebê prematuro e suspeita de autismo em doses homeopáticas

Mariliza grávida

 

Sabe aquela vontade de ser mãe, que a maioria das mulheres tem? Pois é... por muitos anos ela não me tocou. Talvez seja porque, lá pela minha adolescência, eu tenha escutado de cinco médicos o reconhecimento de um útero didelfo (uma má formação uterina, que dificulta a gestação) e, mais velha, o diagnóstico de que não conseguiria conceber um filho.

 

Defesa ou não, a notícia não me abalou muito – salvo às vezes que me deparava com uma gestante pelo caminho. Por este motivo, a surpresa de um resultado positivo foi eminente. As azias pela manhã, o sono incontrolável, o mau humor e as sensibilidades extremas me fizeram parar pra pensar: será? Como assim?

 

E a nossa Alice estava lá, guardadinha no meu útero pequeno, já perto do terceiro mês. Um misto de susto, preocupação e muita alegria tomou conta de mim e do meu marido. Um sonho escondidinho no fundo do meu inconsciente aflorou com força total.

 

 

A pequenina foi crescendo e crescendo, e não quis esperar a hora certa para nascer, incomodada com o pouco espaço que tinha para se desenvolver. Com 24 semanas, tive as primeiras contrações e três centímetros de adiantada dilatação. Entrei em repouso absoluto para esperar, o máximo possível, as semanas passarem. Conseguimos fazer a Alice aguardar mais algumas semanas. Ela chegou no dia 11 de maio de 2011, com 32 semanas de vida, três dias depois do Dia das Mães, às 10 horas da manhã de uma quarta-feira.

 

Pequenina, com 1,2kg, vi muito rapidamente a nossa bebê, que foi amparada às pressas pela pediatra de plantão e levada para a UTI Neo Natal, onde ficou por pouco mais de um mês. Período conturbado, que nos colocou num turbilhão pela vida sem nem percebermos. E como crescemos, como amamos, como torcemos.

 

Entre dicas, ensinamentos e aprendizados, nossa lindeza foi pra casa, já com quase dois meses, 2,2 kg, num macacão RN gigantesco para o seu tamanho. Um doce de bebê, Alice quase não chorava, ficava em qualquer cantinho em que era colocada, não se incomodava com barulhos altos. Inexperientes que éramos, agradecíamos por termos uma criança tão boazinha.

 

 

Os meses foram passando, Alice crescia e engordava. Experimentava novos sabores, novos ambientes. O quinto mês chegou e, a mamãe aqui, teve que voltar a trabalhar. Os primeiros dias de creche foram tristes pra mim, mas para ela pareciam como outros quaisquer.

 

Nesta época, a Alice frequentava sessões frequentes de fisioterapia para tratar de uma hipotonia (diminuição do tônus muscular e da força), que veio de presente logo no nascimento. A Alice não se equiparava às crianças da mesma idade. Aos seis meses, mal conseguia sentar. Não balbuciava como as outras criancinha e não se interessava pelos brinquedos. Foi a fisioterapeuta dela - um anjo que encontramos na UTI Neo Natal - que nos orientou a procuramos um neuropediatra.

 

Mas fechar o diagnóstico de autismo é algo lento e que exige paciência. Se para os pais é difícil pensar na confirmação? Claro que é! Mas ela vai chegando em doses homeopáticas para não causar alvoroço. E que bom! Essa situação traz um colorido diferente para as nossas vidas, um esforço com sabor de conquista, vistos através de olhinhos curiosos e sensíveis.

 

 

E no decorrer desses anos, nossos dias são para ela, que vive uma rotina atarefada de várias terapias, escola e atividade física. Cada conquista da nossa pequena é motivo de comemoração. Cada passo dado é sinônimo de vibração.

 

Hoje nossa pequena guerreira está próxima de completar seis anos de vida. É linda (sim, sou suspeita) e saudável; não tira o sorriso do rosto e nos ensina a ver o mundo de forma minuciosa, nos detalhes.

 

Com ela, aprendemos a valorizar o que tem que ser de fato valorizado e a pensar num problema quando ele realmente é um problema. Com ela, aprendemos a não julgar e a respeitar ainda mais o diferente. Com ela aprendemos o que é amor de verdade.

 

Fomos presenteados não só com uma criança incrível. Tivemos a dádiva da gestação. Tivemos a sorte de sermos escolhidos pela Alice. Tivemos e temos essa felicidade.

 

Alice e autismo

Esse texto foi escrito pela Mariliza Souza, mãe da Alice, esposa do Rômulo Jacques e uma apaixonada pelos detalhes da vida.

 

 

Para cada reportagem da Série Autismo, o Papo de Infância gravou um vídeo com especialista no assunto. Um deles foi o que segue abaixo, com a psicóloga e coordenadora do Capsi de Macaé (RJ), Iasmin Garcia Morinigo. Nessa entrevista, ela fala sobre o grupo de terapia pais e bebês e a importância da intervenção precoce nos casos de autismo. CONFIRA

 

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