Gravidez precoce: o que muda quando a maternidade chega sem planejamento

Ser mãe é algo divino. É uma experiência capaz de mudar a forma de enxergar a nós próprias e também a vida. E tudo isso pode ser potencializado quando a gravidez chega de forma inesperada, sem planejamento. Algo comum no Brasil segundo a Organização Mundial da Saúde, que revela: aqui nascem 68,4 bebês de mães adolescentes a cada mil meninas com idades entre 15 a 19 anos. Índice acima da média latino-americana, estimada em 65,5. No mundo, o número gira em torno de 46 nascimentos a cada mil segundo a OMS.

 

Na semana em que comemora-se o dia das mães, o Papo de Infância conta a história de alguém que viveu a experiência da maternidade precoce. Aqui, a jornalista Káritha Moraes compartilha o impacto da notícia, as causas da gravidez na adolescência e propõe uma reflexão sobre o papel da família no tratamento desse tipo de assunto. Confira!

 

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Aos 16 anos, a confirmação da gravidez

 

No auge da juventude, nem sempre se tem a real noção do impacto de uma gravidez sem planejamento. Káritha, que engravidou aos 16 anos e teve o bebê com 17, conta que a notícia chegou como um tsunami.

 

“É aquela velha história: a gente não acredita até acontecer com a gente! Por medo, eu tentei esconder da minha mãe. Mas ela logo descobriu por causa dos enjoos. O pai da minha filha e eu ficamos desesperados. Não estávamos preparados para tamanha responsabilidade. As pessoas nos olhavam e diziam: duas crianças gerando outra. O que nos deixava tristes”.

 

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Káritha, aos 16 anos, durante a primeira gravidez

Mudança na rotina

As mudanças que uma criança traz vão além da alteração na rotina. A chegada de um novo membro também obriga a repensar a forma de olhar para a vida, de agir, impõe redefinir metas e prioridades. Com Káritha, não foi diferente.

 

“Consegui terminar o segundo grau porque tive ajuda dos professores que, muitas vezes,  me receberam fora do horário de aula para realizar as atividades. O meu quarto virou berçário, deixei de ir a festas, as amizades se afastaram e passei a ter novas responsabilidades. Foi difícil. Muitas vezes chorei. Mas precisava fazer o melhor pela minha filha, que já era muito amada apesar da forma inesperada como chegou”.

 

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As Causas da gravidez precoce

 

Káritha atribui a gravidez precoce dela à imaturidade. Diz que conhecia os métodos contraceptivos, mas não pensou nas consequências de um “simples” deslize. Depois de vivenciar a maternidade na juventude, avalia com outros olhos o papel da família quando o assunto é prevenção da gravidez. Considera fundamental entender que criança cresce e que incluirá sexo na rotina em algum momento. Por isso, acha necessário tratar o tema de forma natural em casa.

 

“A família é muito importante não só em termos de orientação. Ela precisa ir além: monitorar o comportamento do filho ou da filha de perto, cobrar, conversar, levar ao médico e ajudar na prevenção, se for o caso. Na minha casa não tínhamos conversas abertas. Quando elas aconteciam, eram para repreender e não eram para orientar. Isso afasta o jovem em vez de envolvê-lo numa discussão produtiva”.

 

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Relação Mãe e Filha

 

Káritha tenta transmitir à filha, hoje com 22 anos, as lições da experiência que viveu. O maior legado foi a necessidade de estabelecer uma relação sincera e próxima com a Thayná.

 

“A nossa relação sempre foi boa. Tento passar valores, tenho diálogos abertos e falo sobre as dificuldades que tive. Mas deixo claro que, apesar de ela ter sido fruto de um relacionamento sem planejamento, sempre foi muito amada”.

 

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Káritha, à esquerda, e a filha Thayná.

 

A segunda chance

 

Dezenove anos depois, num outro relacionamento, Káritha foi mãe pela segunda vez. Repetir a experiência da maternidade num momento diferente da vida a permitiu reavaliar a forma de criar um filho e implantar novas práticas.

 

“Foi totalmente diferente porque o meu corpo e o meu psicológico estavam preparados para essa experiência. A estabilidade financeira também deixou tudo mais tranquilo. Outra diferença importante foi tomar as rédeas da criação do Davi. Na primeira gravidez, por imaturidade, a minha mãe tomou a frente de muitas decisões. Participei como coadjuvante da criação da Thayná. Agora, o meu marido e eu compartilhamos tudo e definimos com segurança os rumos da educação aqui em casa”.

 

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Káritha com os filhos Davi, de 3 anos, e Thayná, de 22.

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