Inteligência Artificial e seus impactos na educação

Robôs já são responsáveis por reportagens econômicas e de outras editorias em grandes jornais do mundo. A inteligência artificial também avança a passos largos em setores como os da indústria, saúde e mercado financeiro.

 

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O mesmo se repete na érea da educação de vários países. No Brasil, no entanto, essa iniciativa ainda acontece de maneira tímida. Num país que não oferece, sequer, educação básica de qualidade a boa parte da população, talvez seja ousadia falar em inteligência artificial em sala de aula. Mas é importante trazer o tema à pauta e a discussão pode começar pelo extremamente básico: a mudança de mentalidade dos que educam nossas crianças.

 

Inteligência Artificial no mundo

 

Recentemente a colunista Ana Maria Diniz, do jornal Estadão, mostrou algumas iniciativas bem-sucedidas do uso da inteligência artificial em escolas do mundo. Citou, por exemplo, dois colégios da Califórnia (USA). Um deles utiliza uma plataforma personalizada com uma espécie de “playlist” (textos, vídeos e exercícios), criada a partir das preferências e deficiências de cada aluno. A outra inovou com uma plataforma inteligente, onde cada estudante aprende no ritmo dele e de forma customizada.

 

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Mas os sistemas inteligentes de tutoria, de aprendizado profundo e o uso de robôs estão entre as tecnologias mais disseminadas em salas de aula mundiais. O artigo mostra que sistemas de tutoria identificam o passo a passo do processo mental do aluno no aprendizado da matemática, auxiliando o professor a pensar numa maneira mais efetiva, de acordo com as necessidades e talentos dos estudantes. Já os sistemas de aprendizado profundo buscam e sintetizam informações para entregar conhecimento personalizado, com foco no que cada um precisa e quer aprender.

 

Inteligência Artificial no Brasil

 

No Brasil as poucas experiências que unem educação e inteligência artificial se concentram, em grande parte, nas escolas de elite. Uma das poucas exceções ficou para o núcleo de educação infantil da rede pública de Santa Catarina. Lá, três pequenos robôs participam ativamente das aulas segundo o artigo do Estadão. Desenvolvidos por cientistas da Univali, os robozinhos interagem com os alunos de 4 a 7 anos para melhorar o desenvolvimento cognitivo, motor e estimular o raciocínio lógico da criança.

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O começo da mudança

 

Para que experiências como a mostrada acima se multipliquem pelo Brasil e deem nova cara à nossa educação é preciso, no entanto, que professores e escolas tenham mais intimidade com a tecnologia. Afinal, ela já mudou a forma como os diversos personagens da área de educação interagem e se relacionam. Foi o que defendeu a doutora em educação pela Universidade de São Paulo e diretora do Instituto Crescer, Luciana Allan, durante palestra sobre “Educação em Rede” no Tedx Macaé (RJ).

 

Na época, ela disse que “a tecnologia está mudando a forma como nos relacionamos, nos comunicamos uns com os outros, gerenciamos nossa vida e as oportunidades de empregabilidade. O professor precisa entender esse contexto para organizar a melhor estratégia de ensino. Até porque, essa geração tem características muito diferentes das das anteriores: está o tempo todo conectada, é extremamente colaborativa e imediatista”.

 

 

Luciana destacou, ainda, que se desejamos uma escola disruptiva, precisamos seguir algumas diretrizes. Entre elas, a especialista listou:

 

  • Ter mentores em vez de professores. A missão é ajudar alunos a fazerem leitura crítica de informação, ajudar a desenvolver pensamento crítico, a trabalhar em equipe, ser socialmente responsável;

 

  • Usar os recursos tecnológicos a favor da educação;

 

 

  • Ter cultura pedagógica sustentada pela inovação, ou seja, fazer de uma forma como nunca se fez antes. Repensar a metodologia, a forma como se trabalha e dialoga com o aluno, ter educação que estimule a curiosidade e o olhar crítico;

 

  • Ter currículo voltado para o desenvolvimento de todas as competências: as básicas, que já fazem parte do currículo, e também as socioemocionais e tecnológicas.

 

“Para mim, a melhoria da qualidade da educação de nosso país é uma questão urgente. Somente com um novo olhar, com criatividade e coragem vamos conseguir mudar a realidade”, finalizou Luciana Allan.

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