O impacto do diagnóstico: “nossa menininha é autista. E agora, como vai ser?”

 

É claro que cada pessoa reage de um jeito quando acontece uma situação não prevista. Quando te é dada a dádiva de gerar uma vida, a primeira coisa que se vem à cabeça é a pergunta: “e agora, como vai ser?”. Não é segredo para ninguém que a vinda de um filho muda, e muito, a rotina de uma casa. Quem dirá a de um filho diferente.

 

No autismo as coisas não acontecem de uma hora para outra. Se todos nós, pais, pudéssemos ter a noção e a percepção aguçada para perceber pequenos traços de comportamentos ditos “anormais”, tudo ficaria mais fácil. Mas não é o que acontece. E com a minha família não foi diferente: primeira filha, parto prematuro, internações... doenças comuns às crianças que frequentam creche e um desenvolvimento atrasado que não percebemos de imediato.

 

O problema desta disfunção é que ela não tem um manual, não tem regras claras e muito menos exames que comprovem que a sua criança é autista. No início, o acompanhamento gira em torno do “pode ser”. Diagnóstico fechado mesmo, só depois dos dois anos e meio. Por isso é tão importante aceitar o que parece diferente e correr atrás de acompanhamento médico o mais cedo possível.

 

 

Começamos o perrengue em busca de um diagnóstico aos sete meses de vida da nossa pequena. Foram cinco médicos diferentes. Cinco diagnósticos iguais. Vários exames para descartar outras síndromes (além de um início de hidrocefalia que não evoluiu, ainda bem, nada foi constatado nos exames). E aos dois anos e meio, já com várias terapias em andamento, diagnóstico confirmado: pimba! nossa menininha é autista. Sua cabecinha funciona diferente. Seu comportamento é diferente. E ela é toda especial para gente.

 

No autismo, como regra de diagnóstico, o neuropediatra se baseia no tripé sintomático: perturbação da comunicação; perturbação da interação social; comportamentos, interesses, atividades e imaginação restrita e repetitiva.  Não é uma receita de bolo, e os autistas não são todos iguais! Uns falam perfeitamente, mas não interagem bem. Outros o contrário. E por aí vai. Como nas crianças típicas, eles são únicos.

 

E aquele luto que muitos pais passam, de aceitação, de procurar respostas e tudo mais? Não passamos, de verdade. Porque pensamos que cada pessoa tem seus prós e contras. A Alice tem infinitos prós. Os contra a gente corre atrás para ajudar, sempre e sempre.

 

 

Esse texto foi escrito pela Mariliza Souza, mãe da Alice, esposa do Rômulo Jacques e uma apaixonada pelos detalhes da vida.

 

A psiquiatra Paula Ferraz também dá grande contribuição nessa reportagem. No vídeo abaixo, ela fala sobre sintomas, diagnóstico, intervenções terapêuticas e responde perguntas enviadas previamente pelos leitores. ASSISTA.  

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