Leitura e criança: entenda como o adulto pode incentivar essa relação

 

As prateleiras das livrarias não param de receber novidades, principalmente, para a leitura do público infantil. Cada nova edição chega mais requintada, com a promessa de ser a ideal para determinada faixa etária, a melhor para ajudar a resolver dificuldades da criança relacionadas a desfralde, birra, falta de apetite e por aí vai.

 

Mas toda essa variedade, muitas vezes, pode deixar pais e educadores perdidos. Nesse contexto, quais critérios utilizar para escolher o título adequado e fazer a criança se encantar pela leitura? Para ajudar nessa tarefa, o Papo de Infância recorreu às dicas de quem entende muito do assunto: Luciana Conti – mãe, jornalista com especialização em literatura infantil e autora do blog Gato de Sofá. 

 

Durante visita à Casa Ipê, um espaço criado em Macaé (RJ) para trabalhar leitura, reflexão, diálogo e escrita criativa com crianças e adolescentes de quatro a quatorze anos, ela deu sugestões pra lá de interessantes aos que sabem a importância de formar leitores desde cedo. Confira! 

 

Leitura: para criança pequena, menos é mais

Nem sempre o livro com diversos recursos visuais é o mais recomendado. Se ele for detalhado em excesso, pode tirar da criança a possibilidade de ir além do que é mostrado. Por isso, mais do que avaliar a ilustração, por exemplo, verifique as possibilidades que o livro oferece para trabalhar:

 

  • O afeto
  • O formato
  • A brincadeira
  • A criatividade

 

Nesse caso, uma boa sugestão é o livro “Ter um patinho é útil”, de Isol Misenta. A partir de um jogo visual simples e divertido, a autora utiliza as mesmas ilustrações para mostrar que qualquer situação pode ter diferentes pontos de vista.  Na última página, uma surpresa: o título vira outro livro.

 

Interatividade diferente 

 

 

Em tempos de livros eletrônicos, tablets e aplicativos cada vez mais convidativos, como trazer a interatividade para o papel? O autor Hervé Tullet, conhecido na França como o príncipe da pré-escola por causa do sucesso com o público infantil, conseguiu essa façanha por meio do livro "Aperte Aqui" – outra recomendação da Luciana Conti. A brincadeira começa com um convite: aperte a bola e vire a página. A partir daí as bolas coloridas se multiplicam, mudam de lugar e de tamanho de acordo com os comandos e a imaginação. Brincadeira simples e divertida para instigar a criatividade, aproximar pais e filhos.

 

Obra Literária x Livros Comuns

 

 

Nem todo livro é uma obra literária, caracterizada por informar e apresentar a visão de mundo do autor sobre determinado tema. Os livros que estão fora desse contexto têm outras funções. Os que prioprizam a ilustração, por exemplo, servem para educar o olhar. Os de relevo, trabalham as sensações. Já os livros pop-ups, aqueles com imagens que saltam das páginas ao serem abertos, viram divertidos brinquedos. Todos contribuem para o aprendizado. Mas antes de apresentá-los à criança, é importante: 

 

  • Verificar a faixa etária e o universo em que ela está inserida;
  • Ler o livro antes de comprar para avaliar o texto e outros detalhes;
  • Lembrar de que livro não tem gênero. O mesmo exemplar serve para meninos e meninas; 
  • Respeitar a escolha de leitura da criança;
  • Contextualizar a história para o pequeno leitor caso ela apresente fatos que estejam fora da compreensão dele;
  • Promover o encantamento da criança com o texto literário.  

 

Treinando os adultos

 

 

Essas e outras dicas foram compartilhadas num curso sobre “O papel do adulto na formação do leitor”, promovido pela Casa Ipê. Ao longo de dois dias, Luciana Conti apresentou ao público de educadores os benefícios de ler para os pequenos numa sociedade dominada pelo eletrônico, falou sobre a história da literatura infantil, apresentou clássicos e sugeriu autores. 

 

“Quando lemos para uma criança, partilhamos com ela o nosso repertório de vida e a ajudamos a fazer escolhas. Precisamos ter esse compromisso com as futuras gerações, lembrar que nada substitui o capital humano. Se essa experiência for prazerosa, proporcionará encantamento com a palavra e permitirá reconhecer na escrita uma esfera de transformação” - pontua Luciana, que fez outras reflexões sobre o tema no vídeo abaixo. Confira!

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