Colo de mãe: dor vira projeto para ajudar pais a lidar com a perda do filho

 

O quarto já estava arrumado e o berço pronto para receber o pequeno Guilherme antes mesmo dos nove meses de gravidez, relembra a mamãe Larissa. Ela conta que a gestação foi delicada porque aos quatro meses o bebê apresentou dificuldades renais. Guilherme nasceu aos oito meses de gravidez e não resistiu muito tempo: a perda do filho chegou 2h depois, deixando à mãe uma pergunta.

 

“Por que comigo? Apesar da minha gravidez de risco indicar essa possibilidade, eu não conseguia parar de me questionar. Foi aí que comecei a ler muito sobre o assunto e a frequentar o grupo de apoio “Colo de Mãe”. Hoje, em vez de perguntar “porque comigo?”, eu penso: por que não comigo?”, compartilha Larissa Ramalho.

 

Larissa Ramalho, mãe do Guilherme

 

PERDA DO FILHO X AÇÃO SOLIDÁRIA

 

Foi justamente uma dor semelhante à de Larissa que se transformou em solidariedade e deu vida ao grupo “Colo de Mãe”, em Macaé (RJ).

 

Juliana, criadora do grupo "Colo de Mãe"

 

Quem liderou a iniciativa foi Juliana, que há cinco anos perdeu a filha mais velha Maria Fernanda, aos 22 anos, por causa da combinação de bulimia e infecção urinária. Juliana conta que sentiu revolta, passou pela culpa e enfrentou o luto até perceber que a vida precisava seguir. O impulso para buscar conviver com o não planejado e fazer disso ação de ajuda ao próximo foi uma mensagem psicografada da filha, pedindo que ela ajudasse outros pais a enfrentar a mesma dor.

 

“Aqui, somos um tijolinho na reconstrução do outro. A solidariedade, o abraço sincero e as palavras amigas nos fazem entender que a solução não está em esquecer o filho, mas em lembrar dos bons momentos com ele”.

 

COLO DE MÃE

 

Reunião do grupo "Colo de Mãe"

 

Os encontros presenciais acontecem uma vez por mês (rua doutor Télio Barreto, 554, Centro, Macaé - RJ) e reúnem aproximadamente 35 pais . Durante as conversas eles buscam autoconhecimento e compartilham relatos que aliviam o coração. Também há um grupo no facebook e outro no watzapp com 50 participantes, aberto a qualquer pessoa que queira participar independentemente de localização, idade ou religião. Alguns dos temas abordados ao longo do ano, foram:

 

  • O tempo
  • Saudade
  • O que faço com a minha dor
  • Ressignificando a vida
  • A missão de ser mãe

 

EVOLUÇÃO PESSOAL

 

Cátia, mãe do André e de outros dois meninos

 

Cátia Azevedo é uma das que aprenderam a lidar com a perda do segundo filho. André morreu 20 dias após o nascimento em função de uma pneumonia bacteriana, seguida de quatro paradas cardíacas. Dois anos depois, ela engravidou pela terceira vez. Hoje, com dois filhos, ela avalia o como foi importante buscar ajuda.

 

“Acompanhar a evolução de outros pais encoraja e mostra que é possível transformar o que sentimos em saudade. No fim, ficamos mais fortes e com uma compreensão diferente da visa”, complementa Cátia.

 

Aline, mãe da Alice

 

Aline, outra mãe do grupo, teve a gravidez interrompida aos cinco meses de gestação. Ao compartilhar sentimentos sobre a perda da filha e sobre as próprias angústias com outros pais viu a dor solitária reverberar, seguir outra direção:

 

“Esse processo foi um marco na minha vida, a oportunidade de melhorar como pessoa. O tempo teve o papel dele, mas não deu conta de tudo. Falar sobre o que aconteceu e escutar histórias parecidas foi a melhor forma de aprender a conviver com a partida precoce da Alice”, compartilha Aline Araújo.

 

LIVRO E VÍDEO

 

A mãe e jornalista Camila Goytacaz, que também passou por esse drama, compartilhou a vivência dela no livro "Até breve, José". Por meio de um relato leve, poético e sutil ela convida o leitor a refletir sobre a perda e o luto enquanto experiências transformadoras.  

 

Abaixo há, ainda, um vídeo sensacional sobre essa questão. Assista porque vale muito a pena!

 

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