Tecnologia na infância: quando introduzir e qual o limite?

Parece que os bebês de hoje já chegam sabendo usar a tecnologia, é ou não é? Pensamento que não está muito fora da realidade. As crianças nascidas a partir de 2010, conhecidas como a geração Alpha são mesmo consideradas muito mais independentes do que as de outras gerações. Em parte, porque elas encontram um mundo muito mais tecnológico e, portanto, com mais estímulo.

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Quando usada com responsabilidade e a supervisão, a tecnologia é de grande auxílio para famílias e escolas. Existem aplicativos que potencializam, por exemplo, bons resultados nas fases do desenvolvimento. Outros que, em sintonia com os livros, reproduzem a realidade de forma interativa. Isso sem falar nos joguinhos que contribuem para aprimorar habilidades como concentração, agilidade, estratégia e raciocínio lógico. O problema é que a criança não tem maturidade para definir os limites dessa relação. Diante disso, as grandes questões são:

 

  • A partir de qual faixa etária permitir o contato da criança com o ambiente digital?

 

  • Por quanto tempo deixá-la usar a tecnologia?

 

INÍCIO DO CONTATO COM A TECNOLOGIA

 

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Para a Sociedade Brasileira de Pediatria (Manual Brasileiro), até os 2 anos de idade os pais devem evitar ao máximo o contato da criança com a tecnologia. Um dos motivos é que nessa fase ela deve ser o mais fisicamente ativa possível. Além disso, precisa de forte estímulo à socialização e ao desenvolvimento da capacidade motora. Já a Academia Americana de Pediatria afrouxou um pouco antigas posições. Antes, considerava que essa relação só deveria ocorrer após os 2 anos de idade. Agora, sugere que ela aconteça a partir dos 18 meses, desde que com supervisão e participação ativa dos pais.

 

Os parâmetros estão num documento que foi publicado em outubro desse ano. Já para os mini-internautas entre 2 e 5 anos, a tolerância caiu para apenas uma hora por dia. Antigamente eram duas horas. Depois dessa faixa etária, indica-se que a frequência dos pequenos com a tecnologia seja personalizada.

 

EXPERIÊNCIA PRÓPRIA

 

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Meu filho Pedro, na época com 2 anos, aproveitando a nossa distração para mexer no computador.

 

Quando o meu filho tinha pouco mais de um de idade (hoje tem 4 anos), ele adorava assistir vídeos na TV e no celular. Eu permitia esse contato em casa para conseguir realizar as tarefas domésticas. Já quando saía, era para acalmá-lo. Porém, percebi que Pedro queria sempre mais tempo de contato com essas ferramentas. Meia hora, quarenta minutos, uma hora já não eram mais suficientes.

 

Além disso, ele ficava irritado e impaciente quando com a minha negativa e a do meu marido. Foi quando decidimos restringir a relação dele com a tecnologia até cortar de vez, por um bom período. Em casa, começamos a estimular ainda mais o uso de brinquedos e livros. Ao sair, passei a levar massinha e lápis de cor para desenhos. Foi a melhor coisa que fizemos e até hoje o contato dele com a tecnologia é monitorado, com limite de tempo.

 

ROTINA: CRIE UMA PARA O USO DA TECNOLOGIA

 

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A psicóloga Daniella Freixo de Faria, que gravou um vídeo sobre esse tema, também sugere incluir a tecnologia numa rotina. Segundo ela, é importante que a criança só passe o tempo indicado com as ferramentas digitais após ter feito outras atividades. Entre elas estão o dever de casa, a interação com os brinquedos e a prática de esporte. “Se o uso da internet vier antes dessas outras atividades a criança tende a se acomodar e a querer expandir cada vez mais a permanência no mundo virtual”, esclarece Daniella.

 

RESULTADOS DO EXCESSO

 

Quando o contato da criança com a tecnologia não é bem mediado pelos adultos, traz malefícios. Eles têm vários níveis e se manifestam por meio de comportamentos que merecem atenção. Fique em alerta se o sei filho:

 

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  • Trocar qualquer brinquedo ou atividade pela tecnologia

 

  • Deixar de sair de casa por esse mesmo motivo

 

  • Passar a ter dificuldades no relacionamento com as pessoas

 

Durante uma entrevista à EBC Rádios a pediatra Lílian Hagel, do Departamento Científico de Adolescentes da Sociedade Brasileira de Pediatria, também citou outros prejuízos. Disse que o exagero pode levar à obesidade e ao sedentarismo (já que muitas vezes a criança passa horas sentada), interferir em aspectos comportamentais e emocionais (dificulta o desenvolvimento da empatia, autocontrole e capacidade de lidar com relacionamentos).

 

“A responsabilidade pelo controle do desenvolvimento da criança, das relações de amizade que ela estabelece e do tempo de contato com a tecnologia continuam dentro de casa. Não é porque ela está no quarto que está segura. Além disso, o estímulo digital em excesso também interfere no sono porque deixa a pessoa em alerta”, explicou a pediatra.

 

ADOTE MEDIDAS DE SEGURANÇA

 

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Como já citamos no início da reportagem, a tecnologia também tem o lado positivo. Por isso, não precisa radicalizar. Para garantir que o seu pequeno tenha contato com o universo digital de maneira controlada e segura, sugerimos as seguintes medidas:

 

  • Fique atento à faixa etária indicada para cada jogo eletrônico, filme, desenho e outros conteúdos;

 

  • Evite colocar no quarto da criança TV e computador desde muito cedo. Além de interferir no sono dela, você pode perder o controle quanto ao tempo de uso;

 

  • Instale um sistema de segurança no computador para garantir que a criança acesse apenas conteúdo recomendado para a idade dela;

 

  • Observe o seu próprio comportamento de pai ou mãe. Você é daqueles que conseguem deixar o computador, o celular e outras tecnologias de lado para brincar com a criança ou não? Lembre-se de que o exemplo é a melhor estratégia

 

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QUEIRA MAIS:

 

Clique no link abaixo e escute a entrevista da Dra. Lílian Hagel, do Departamento Científico de Adolescentes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dada à EBC Rádios sobre os Cuidados na Relação entre Criança e Tecnologia

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