Meu filho tem alergia alimentar, e agora?

O relato a seguir é de uma mãe que considerou importante compartilhar a experiência de alergia alimentar da filha, mas que preferiu não revelar nomes para não expôr a menina.

 

Ela conta que tudo começou no aniversário de um ano ano da filha, atualmente, com quase três anos. Na época, a tosse veio de forma persistente. O problema não passou nem mesmo com a medicação da pediatra e, associado ao fato de ela não se adaptar ao leite de vaca após desmame do peito, deixou os pais e a médica em alerta.

 

“Ela sempre vomitava o leite e continuava tossindo muito. Fizemos um hemograma completo, que indicou taxa alta de eosinófilos (células sanguíneas responsáveis pela defesa ou imunidade do organismo. Valores altos podem indicar alergia, asma ou infecção parasitária). Por isso, a médica desconfiou de algum problema relacionado ao leite”, recorda a mãe.

 

ALERGIA ALIMENTAR: O DIAGNÓSTICO

 

alergia alimentar

 

Por causa da suspeita, a pediatra orientou utilizar o leite zero lactose. Mas a menina continuou vomitando, apresentou bolinhas vermelhas no corpo e a médica constatou que ela tinha mesmo alergia alimentar, relembra a mãe. A partir daí os alimentos à base de leite e também os que tinham leite na composição foram retirados do cardápio. Mesmo assim:

 

  • A crise alérgica continuou;
  • A menina começou a perder peso consideravelmente;
  • Apresentou vermelhidão nas bochechas e olheiras.

 

Os pais dela procuraram um alergista, que recomendou um gastropediatra. Por meio de um exame, esse profissional contatou que a menina tinha alergia ao leite de vaca e às proteínas dele (principalmente a caseína).

 

AJUSTE NA DIETA

 

alergia alimentar

 

Por causa da alergia ao leite de vaca e às proteínas dele, foi preciso excluir da dieta:

 

  • Leite, derivados e alimentos com algum componente relacionado; 
  • Alimentos feitos em utensílios que, em algum momento, receberam leite e carne vermelha;
  • Carne vermelha;
  • Geleia de mocotó.

 

Na creche em que a menina ficava já havia outras crianças com restrições alimentares. Por isso, não houve dificuldade. As providências foram substituir os utensílios de cozinha e aproximá-la de outras crianças que também não consumiam leite na hora das refeições.

 

AGRAVAMENTO: ALERGIA CRUZADA

 

alergia alimentar

 

Quando tudo parecia entrar na normalidade, a menina desenvolveu alergia cruzada (quando a sensibilidade a determinada proteína pode levar a reações alérgicas durante exposição a proteínas semelhantes). Ela, por exemplo, que só tinha alergia às proteínas do leite, passou a ter também reações à soja.

 

“Minha filha começou a passar mal comendo coisas que antes não causavam reação. Por isso, tivemos que retomar as conversas com a creche. aApós três meses de negociação, conseguimos que a escola retirasse da dieta da nossa filha todos os ingredientes que causavam alergia. A instituição também passou a fazer a comida dela antes da refeição das outras crianças, em panelas sem contato com óleo de soja. Após 15 dias, as reações alérgicas acabaram”, relata a mãe.

 

Além disso, a escola informa quando utiliza materiais diferentes, que possam ter leite ou soja na composição, como massinha, cola branca, giz branco, guache, etc.

 

“Só com a ajuda da creche, conseguimos alcançar um bom nível de controle. Se a minha filha tiver nova reação alérgica, sei exatamente o que causou. O que me permite cortar o alimento ou produto na hora", destaca a mãe.

 

Recentemente, o casal teve uma surpresa bastante inclusivas por parte da escola: o presente do coelhinho da páscoa não foi alimentício e o colar comemorativo do dia do índio, foi feito com canudo em vez do tradicional macarrão.

 

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Ovos especiais e também só com brinquedo dentro

 

MUDANÇA DE ROTINA: FAMÍLIA E ESCOLA

 

Todo esse contexto alterou a rotina da família.

 

  • No mercado, os pais da menina passaram a ler atentamente as informações de cada ingrediente. Ao comprarem produtos industrializados, procuram pelas marcas que não têm leite e soja na composição. Quando não encontram as marcas que conhecem, verificam cada detalhe da nova aquisição;

 

  • Entram em contato com as fábricas para confirmar se o produto realmente não possui traços de leite ou soja;

 

 

“Isso se torna necessário porque no Brasil, a soja é plantada de forma consorciada com outros alimentos nos períodos de entressafra. Por isso, é possível que ela se misture a outros alimentos na hora da colheita, do armazenamento ou transporte. Uma fábrica me afirmou que entre a chegada e o empacotamento de feijão, por exemplo, eles conseguem retirar até 40% da presença da soja. Mas 60% permanecem. O mesmo acontece com outras culturas”, alerta a mãe da menina.

 

  • Se ao consumir o produto comprado a menina não passar mal em até três dias, a marca entra para a lista de compras;

 

  • Ainda assim, toda vez que o casal vai às compras, verifica a embalagem para constatar que não houve modificações no processo de produção. O RDC 26/2015 da Anvisa, que regula a rotulagem de alimentos, é um bom parâmetro;

 

  • Eles também passaram a fazer boa parte das refeições em casa;

 

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  • Dividiram a louça em dois tipos: as contaminadas com leite (que são lavadas em pia separada) e as não contaminadas;

 

  • Na pia, também há duas esponjas: uma para a louça da filha e a outra, para o restante;

 

  • Para deixar o ambiente mais inclusivo, aos poucos, os pais deixaram de consumir o que a filha não pode comer.

 

CONSCIENTIZAÇÃO DAS PESSOAS

 

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Quem passa por esse processo aprende que não se trata de excesso de zelo. Alergia alimentar é um problema de saúde delicado e exige muita cautela. Mas quem está ao redor, nem sempre compreende isso de imediato. 

 

“A aceitação por parte de outras pessoas da família foi difícil. Se a minha filha vomitava, alguns diziam que era uma “virosezinha”. Se ela tinha diarreia, insistiam que poderia ter sido algo estragado que comeu. Para outros, dividir a comida do prato com ela era uma forma de carinho. E aí, tivemos que explicar a cada um os danos da alergia alimentar. Hoje, consigo deixá-la na casa dos familiares com a certeza de que a alimentação servida será a que enviei, sendo acrescentado fruta ou ovo cozido”.

 

ALERGIA ALIMENTAR X SOCIALIZAÇÃO

 

alergia alimentar

 

A comida é a maior rede social existente, já pensou sobre isso? Afinal, é ela que reúne pessoas para encontros, conversas, situações diversificadas. Nesse contexto, os alérgicos também precisam de alimentos inclusivos para esses momentos.

 

Enquanto nem todos os lugares oferecem opções para esse público, os pais da menina fazem o que podem. Quando a levam ao cinema, por exemplo, fazem a pipoca. Numa festa de aniversário, levam o brigadeiro, os salgadinhos, outros doces e até bolo. Para a escola, enviam o lanche mais parecido possível com o dos amigos. Além disso, o casal se reveza no monitoramento. Enquanto um come, o outro fica responsável por ela.

 

“Atualmente, minha filha toma um complemento substituto do leite e recentemente ganhou boa quantidade de peso. Continuamos com as restrições a leite e soja, mas nunca deixamos que isso atrapalhasse a inclusão dela. Sabemos que em algum momento ela poderá ingerir algum elemento alérgico sem querer. Quando isso ocorrer, o mundo não acabará para nós como antes. Se Deus nos concedeu essa missão tão importante de ter cuidados especiais na alimentação de nossa filha, faremos o melhor que pudermos”, finaliza a mãe.

 

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