O que uma visita ao asilo pode ensinar sobre a relação com nossos filhos

Muitas vezes, histórias cotidianas nos proporcionam profundas reflexões. Isso aconteceu comigo durante uma palestra, aparentemente simples, num domingo qualquer. A lição girou em torno da criação de filhos. 

 

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RELAÇÃO PAIS E FILHOS

 

A palestrante - uma professora muito bem articulada - contava sobre a visita a um asilo em Niterói (RJ). Uma senhora com pouco mais de noventa anos chamou a atenção dela porque se recusava a sair do quarto. Após ser convidada diversas vezes pela enfermeira a se juntar ao grupo, ela apareceu na janela e disse que não sairia. Mas disse que a visitante poderia entrar.

 

A CONVERSA

 

O quarto em que a idosa estava era individual, amplo, com banheiro privativo e televisão. Naquele ambiente ela contou que estava revoltada porque havia descoberto, pelos funcionários do asilo, que a bisneta havia nascido. Os netos moravam duas ruas adiante. Só que há seis anos nenhum familiar a visitava. Ela desabafava que, apesar do conforto, era como se não tivesse nada.

 

Curiosa, a visitante perguntou para a idosa sobre os filhos. Escutou que eles eram médicos, engenheiros e fizeram faculdade no exterior. Relatou, ainda, que para dar essa educação e garantir que nada faltasse, ela havia trabalhado em três empregos. Foi quando a visitante observou:

 

A senhora percebe? Os seus filhos estão dando, exatamente, o que a senhora proporcionou a eles ao longo da vida: conforto material, tudo do bom e do melhor. Quantos natais a senhora passou com eles? Quantos finais de semana acompanhou os seus filhos e netos na pracinha do bairro? De quantos momentos de afeto a senhora se recorda? ”, interrogou a visitante.

 

A REFLEXÃO

Ao escutar esse relato, imediatamente, me questionei. Afinal, eu também sou mãe. A vida corrida, as exigências do trabalho e a necessidade de fazer cada vez mais para pagar as contas nos deixam robotizados, com uma certa cegueira. E quando chegamos a casa, no fim do dia, precisamos dar conta de tantas outras coisas que, nem sempre, conseguimos dar a atenção que os nossos filhos precisam.

 

Às vezes eles querem apenas nos contar as experiências do dia. Ou então, te um momento de intimidade, uma ajuda paciente no dever de casa. Mas a correria, muitas vezes, não nos permite olhar de verdade e perceber o clamor por afeto.

 

Não estou defendendo que paremos tudo e nos dediquemos, exclusivamente, à família. A nossa presença em outros grupos sociais, incluindo o do trabalho, também é importante. O meu alerta é para ficarmos atentos ao tipo de relacionamento que estabelecemos em casa, com os amigos, com os colegas de trabalho, no dia a dia.

 

Que não precisemos chegar aos 70, 80, 90 anos para nos darmos conta de que faltou o principal: presença de verdade, atenção de verdade, essência de verdade. Tudo é ensinamento e aprendizado, não é?

 

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4 comments

  1. Adoro conversar com pessoas idosas, elas sempre têm muito a ensinar. Belo texto!

  2. Monique disse:

    Acredito realmente nisso. Quanto mais atenção damos aos nossos filhos, quanto mais diálogo temos dentro de casa, mais evitamos problemas futuros e isso é MARAVILHOSO!!! Parabéns por nos levar a essa reflexão, Renata!

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