O estrago de dizer aos nossos meninos: “homem não chora, deixa de ser mulherzinha!”

Quem nunca escutou por aí um...”parem de chorar, meninos. Isso é coisa de mulher”.

 

meninos

 

Em 2010 o então goleiro Bruno do Flamengo, ídolo de centenas de crianças e adolescentes na época, foi mais ousado ao perguntar numa entrevista coletiva: “quem nunca brigou ou até saiu na mão com uma mulher?”

 

Mais recentemente, os holofotes se voltaram para o ator José Mayer. Após ser acusado de assédio por uma figurinista, ele publicou uma carta admitindo que errou e disse também: “...sou sim fruto de uma geração que aprendeu, erradamente, que atitudes machistas, invasivas e abusivas podem ser disfarçadas de brincadeiras ou piadas. Não podem. Não são.”

 

Nas artes, no esporte, no dia-a-dia – de forma geral – comportamentos como esses se repetem porque passaram a ser culturais, porque sempre foi assim.

 

E muitas vezes, nós, pais e mães de meninos, não percebemos como ajudamos a reproduzir esse padrão desde os primeiros anos da infância quando ensinamos os nossos garotos a:

 

  • Escolher o esporte que “é de menino”
  • Valorizar a masculinidade
  • Reprimir emoções
  • Esconder habilidades “consideradas de meninas”
  • Ser forte a todo custo
  • Ser o provedor financeiro
  • Aquele que fala grosso
  • Ser o que chega em casa para ser servido

 

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CONSEQUÊNCIAS

Doutrinado... os nossos pequenos passam a ter opções de vida limitadas, sofrem uma desconexão forçada com a própria essência e quando não querem ou não conseguem seguir o padrão imposto, sofrem.

 

O documentárioThe Mask You Live In” (disponível no Netflix e com trailer no fim dessa reportagem) aborda esse assunto de forma contundente e impactante porque analisa a questão sob uma outra perspectiva: a dos homens que tiveram suas vidas parcialmente destruídas ou foram vítima de abusos emocionais por causa da cobrança machista exagerada. Sem entender porque não poderiam ser quem desejavam, muitos deles viraram homens que:

 

  • Tiveram dificuldades para falar sobre eles e expressar angústias
  • Extravasaram as emoções de forma violenta, agressiva ou em forma de bullying
  • Buscaram refúgio no álcool e nas drogas
  • Tiveram dificuldade de relacionamento 
  • Viraram homens frustrados, depressivos, homofóbicos, machistas

 

O QUE PODEMOS FAZER COM NOSSOS MENINOS?

 

Antes de serem meninos ou meninas, precisamos olhar as nossas crianças como pessoas que têm sentimentos e desejos convergentes. Necessitamos valorizar mais o afeto, a empatia e - enquanto pais, temos a obrigação de:

 

  • Vigiar o nosso olhar e os nossos preconceitos 
  • Domar as nossas atitudes e servir de exemplo
  • Criar uma ambiente onde os nossos meninos possam se expressar sem medos

 

Acredito que a minha conduta de hoje influenciará muito no homem que o meu pequeno Pedro, de 3 anos, se tornará no futuro. E você, já pensou sobre isso? Um bom começo para essa reflexão é assistir ao trailer abaixo.