As dores e delícias de criar o filho em outro país

A Karen é uma paulistana que fazia mestrado na Alemanha quando conheceu o marido na Holanda, durante uma viagem de lazer. Foi lá que ela e o Werner casaram, fixaram residência (moram em Brielle, cidade com 16 mil habitantes e a 30km de Rotterdam) e viraram pais do Maximilian, filho do casal hoje com um ano de idade.

 

E quando um filho entra na rotinha, a vida muda demais. Mesmo no caso de uma imigrante ambientada e experiente, como a Karen.

 

 

1ª Surpresa: pré-natal do filho

 

Na Holanda, o pré-natal é feito com parteiras/obstetras e a cada consulta a gestante é recebida por uma diferente. A ideia é conhecer todas as profissionais para estar “familiarizada” com a que estiver de plantão na hora do parto.

 

“Eu senti muita falta de ter um acompanhamento mais personalizado e ver os meus pequenos incômodos levados a sério. Aqui não existe medicina preventiva, os check-ups não são comuns e para quase todas as reclamações a indicação médica é “esperar que passa” ou a combinação “chá+paracetamol”, conta a Karen.

 

Ela acredita que isso pode ter contribuído para um fim de gravidez traumático.

 

“Eu reclamava de inchaço excessivo, já com 27 ou 28 semanas, e as parteiras diziam que era normal por ser verão. Já estava doente e não sabia. Acabei sendo internada às pressas oito semanas antes da data prevista para o parto porque a minha pressão estava explodindo. Desenvolvi síndrome de Hellp e tive uma cesárea de emergência.

 

 

Suporte diferenciado no pós-parto

 

Por causa da antecipação do parto, a mãe da Karen não conseguiu chegar a tempo. A sorte é que a Holanda oferece um serviço muito bacana às famílias nos primeiros dias após o parto.

 

  • Esse serviço pode ser contratado pelo prazo de três a dez dias e é parcialmente coberto pelo seguro de saúde;

 

  • No período acordado, uma funcionária vai à casa da família diariamente ajudar com o bebê, a amamentação, as tarefas leves da casa e com os curativos da mãe;

 

 

  • Essa pessoa também controla o desenvolvimento da criança, ensina a mãe a cuidar do bebê, tira dúvidas sobre amamentação e auxilia nos cuidados gerais algumas horas por dia;

 

  • Dependendo do contrato, a profissional também ajuda a arrumar a casa, prepara comida e faz até compras no mercado em caso de necessidade.

 

Licença maternidade flexível

 

Na Holanda a licença maternidade remunerada é de 16 semanas, como no Brasil. Mas existe uma licença não-remunerada que tanto o pai quanto a mãe pode tirar até os oito anos de idade de cada filho. É um total de 1.040 horas que o trabalhador pode usar após acordo com o empregador.

 

“Quando voltei a trabalhar, mantive meu contrato de 40 horas semanais. Mas usava as horas que tinha direito em forma de licença não remunerada. Por isso, eu trabalhava três dias por semana e recebia só por esses dias. O meu marido também faz uso dessas horas e, desde que o Max nasceu, trabalha só quatro dias por semana. Tudo para que possamos participar mais da vida do nosso filho. Isso é comum e respeitado por aqui”, explica a Karen.

 

 

Creche? Só se pagar

 

A escola formal na Holanda começa aos quatro anos de idade e é gratuita até o final do ensino médio. As faculdades cobram contribuições anuais de cerca de 2.000 mil euros. No entanto, a creche/escolinha até os quatro anos é privada e custa uma pequena fortuna. Não há creches públicas.

 

“Nos meses em que eu trabalhei, o Max ia para a creche dois dias por semana. Embora ficasse lá 8h por dia, tínhamos que pagar a tarifa fixa para o dia todo, referente a 11h de serviço. Por esses dois dias por semana, desembolsávamos 750 euros por mês. Quando os dois pais trabalham, é possível pedir uma ajuda de custo ao governo. Mas o valor é de acordo com o salário do casal. Quanto maior a renda, menor é a ajuda”.

 

 

Distância x Vínculos afetivos 

 

O Maximilian é o primeiro neto, primeiro bisneto e o primeiro sobrinho da família da Karen. Ele foi muito esperado e, principalmente, a mãe da Karen sente demais não poder vê-lo crescer de perto. Por causa do fuso horário de 5h em relação ao Brasil, é difícil colocá-lo para falar com a família brasileira. Por isso a Karen mando fotos, vídeos e áudios por whatsapp quase diariamente. É assim que todos acompanham os progressos do pequeninho Max.

 

“Nos primeiros anos da infância, a memória da criança é muito limitada e isso dificulta o estabelecimento de laços afetivos com quem está longe. Se o Max passa quatro semanas sem ver uma pessoa, por exemplo, ele não lembra mais dela. Toda vez que chegamos no Brasil, os primeiros dias são difíceis. Os próprios avós são completos estranhos para ele, que quer brincar e não aceita colo de ninguém. É um pouco frustrante. E quando voltamos para a Holanda, rapidamente eles não são mais reconhecidos por Skype ou nos vídeos”, relata a Karen.

 

 

Vantagens de criar um filho na Holanda

 

Em meio aos prós e contra de criar o filho em outro país, pesaram para a Karen as seguintes vantagens:

 

  • Educação gratuita e de qualidade

 

  • Segurança

 

 

  • Mais igualdade social;

 

  • Flexibilidade da jornada de trabalho (a maioria das mães trabalha meio período, concilia maternidade e trabalho de forma mais leve para ver o filho crescer mais de perto);

 

  • Estar muito perto de outros países (o Max está tendo a oportunidade de conhecer outras culturas, conviver com pessoas de diferentes etnias e crenças desde cedo, aprendendo sobre respeito e tolerância, construindo uma visão mais ampla de mundo. Algo que a Karen e o marido desejavam muito proporcionar ao filho).

 

 

Para plantar uma sementinha do Brasil no filho, ela conversa com ele em português desde a gestação. Ao perguntar se ela deixa algum conselho, a resposta é simples:

 

“Acho que não existe certo ou errado nesse caso. Toda escolha tem perdas e ganhos. O importante é estar feliz”.

 

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